Quem não se comunica, se trumbica
Sei que muitas de vocês, talvez, nem se lembrem do Chacrinha, entretanto preciso dizer que o Velho Guerreiro tinha toda a razão quando falava, em seu programa de sábado à tarde, que “Quem não se comunica, se trumbica”.
E não pensem vocês que os games são exceção no que diz respeito a teoria da comunicação (vixi, isso me lembrou uma matéria que tive na faculdade). Os MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game), mesmo que timidamente, chegaram ao Brasil e estão fazendo a alegria dos antigos freqüentadores de salas de chat.
Os títulos, que já ganharam espaço com propaganda publicitária na TV, são sensação no país e já correspondem a uma boa fatia dos players brasileiros. O Ragnarök, por exemplo, pioneiro do gênero em terras tupiniquins, em menos de um ano acumulou uma modesta base de 700 mil usuários e já chegou ao pico de 20 mil jogadores simultâneos.
Mas por que os MMORPG chamam a atenção de tanta gente? Fácil, fácil! O grande diferencial dos massives é a interação que eles proporcionam aos jogadores. São milhares de pessoas online, vivendo em um mundo de fantasia, dispostas a se conhecer, não só virtualmente, mas pessoalmente também.
Há algum tempo fiz uma matéria sobre casais que tinham começado a namorar jogando algum massive e, só então, a ficha caiu. Eu, que achava um absurdo alguém se relacionar com outra pessoa tendo como intermediário um jogo (e esquecendo do número de pessoas legais que conheci em chats, icq, msn, fóruns e afins, cuja mecânica é praticamente a mesma) passei a olhar esse “mundo de mentira” por um outro ângulo.
Mas a gota d’água mesmo foi quando me peguei consolando uma amiga que tinha se apaixonado jogando Everquest. E não falo de nenhuma adolescente de 13 anos, não. A moça, muito da adulta por sinal, ficou caidinha por um rapaz, cujo primeiro contato foi com o seu personagem.
Mesmo depois de ouvir muitas histórias sobre a nova maneira de conhecer pessoas, muito da incrédula, fiz questão de realizar o teste pessoalmente. Aproveitei a onda do Ragnarök, ressuscitei minha aprendiz (pobrezinha, tinha um laço lindo, mas ainda não era uma noviça ) e fui em busca de…hehehe…novos amigos.
E não foi que deu certo! Bastou deixar a Debbie (nome da aprendiz) sentadinha por cinco minutos em Prontera, para três garotos (meninas, eu falei TRÊS garotos!!!) chegarem para “trocar uma idéia” e perguntar o meu msn (ops, o da Debbie). Agora me digam: “Em que balada chegam três gatinhos para uma conversa interessante no curto período de cinco minutos?”
A conclusão que cheguei depois de ignorar, duvidar, aceitar e, enfim, testar um MMORPG para fazer amigos é que, como tudo na vida, online ou não, basta uma boa dose de simpatia e disposição para conhecer gente bacana.

Uma graça, não?
