Disfarces digitais
Ontem, enquanto descobria o que acontecia no mundo, encontrei uma reportagem no Independent muito legal sobre um fotógrafo chamado Robbie Cooper. Ele tem desenvolvido um trabalho bastante interessante envolvendo alter egos encontrados em MMOs.
Cooper procura nos universos digitais diferentes personagens e, em seguida, fotografa as pessoas que estão por trás desses avatares. Sua ideia é fazer um comparativo entre a vida digital e a vida real.
Uma de suas fontes é um pai de família, executivo de uma empresa, que após se divorciar da mulher perdeu a maior parte do contato com seus filhos. Para resolver o problema, ele decidiu jogar “Everquest”. Todas as noites, disfarçado de algum personagem, ele colocava o papo em dia com as crianças e falava com eles sobre os deveres de casa, sobre a mãe etc.
“Eu fiquei fascinado com a ideia de que uma conversa banal, mas cheia de emoção, estava acontecendo em um mundo de fantasia virtual”, comentou Cooper sobre o seu “achado”.
E foi assim, encantado com a ideia de confrontar dois mundos, que o fotógrafo deu início ao seu projeto, em 2003. Ele buscou colaboradores em fóruns e registrou personagens em universos virtuais de diversos jogos, fazendo uma espécie de transposição. O resultado pode ser conferido em uma mostra realizada no National Media Museum, em Bradford, na Grã-Bretanha. Caso você esteja meio longe da Inglaterra, a dica é comprar o livro, que reúne um pouco de tudo o que Cooper encontrou na Coréia, China, França e Alemanha durante a execução do seu trabalho.
Caso não se lembre, foi esse nova-iorquino quem fez aquele vídeo, o Immersion, onde vários jovens aparecem fazendo caretas enquanto jogam algum game.
Crédito/Imagem: Robbie Cooper

Tanto a proposta do fotógrafo quanto a história deste executivo são fascinantes, é interessante ver como coisas banais são absorvidas pelo mundo virtual e como o mundo virtual altera a maneira com que as pessoas interagem com esta interface chamada “mundo”.