Governo americano reconhece games como arte
O debate é longo, mas parece que nos Estados Unidos esse blá, blá, blá chegou ao fim. A organização governamental National Endowment for the Arts (NEA) reconheceu todas as formas de mídia como arte, o que inclui os games, conteúdos desenvolvidos para internet e tecnologias para celulares, como aplicativos.
A atualização de status aconteceu após uma mudança nas diretrizes do NEA, que inseriu em seu escopo a categoria “Artes na Mídia”. Para Alyce Myatt, diretora do órgão, trata-se de uma expansão – aguardada e necessária há anos, diga-se de passagem.
Espantosamente, o NEA só considerava plataformas viáveis de arte multimídia a TV e o rádio. Segundo as novas regras da instituição, o conteúdo produzido em “todas” as novas plataformas, como internet, tecnologias móveis e interativas, games, conteúdo gerado por satélite, bem como rádio e TV, são oficialmente reconhecidas pela instituição.
É óbvio que nem tudo poderá ser chamado de arte. Para receber o endosso do NEA, será necessário que os artistas criem peças no formato digital e “entreguem” a sua obra através de um dispositivo eletrônico. A partir desse reconhecimento, interessados poderão obter do governo federal concessões para financiar projetos.
O incentivo financeiro varia de 10.000 a 200.000 dólares e quem quiser começar um projeto antes de 1º de maio de 2012 precisa fazer a solicitação oficial até o dia 1º de setembro deste ano.
É, caros leitores, os games entraram na onda dos editais, ao menos nos Estados Unidos. Quando será que isso vai acontecer por aqui, hein?
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Ainda em tempo: Para quem perdeu o FILE Games, uma matéria completinha sobre o evento, que terminou no último dia 8, no Rio, e onde comparo o lindo Limbo ao expressionismo alemão. O material foi publicado originalmente no site da revista VEJA.
Mostra no Rio explora a arte do videogame
Festival Internacional de Linguagem Eletrônica abre edição dedicada à produção independente de jogos no Brasil e exterior
Começou esta semana e vai até 8 de maio no Rio de Janeiro uma edição toda dedicada a games do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE). Com foco na produção independente, a exposição lança um olhar artístico sobre os jogos eletrônicos.
A mostra reúne artistas brasileiros e internacionais com uma visão pouco convencional dos jogos eletrônicos. Além de games, o evento traz instalações, animações e machinimas (animações desenvolvidas a partir de roteiros, personagens ou cenários de um game).
“Os jogos estão em todos os lugares: na educação, publicidade e até no treinamento de funcionários”, diz Tarsila Yuki, curadora da exposição. “Aqui, queremos mostrar o lado artístico desta produção.”
Flower, para PlayStation 3, e Limbo, para Xbox 360, são alguns dos títulos apresentados na mostra. Premiados pela crítica internacional, foram desenvolvidos por pequenas empresas e trazem em sua essência muitas referências artísticas. Em Flower, do chinês Jenova Chen e do americano Nicholas Clark, o objetivo é controlar pétalas ao vento. No quebra-cabeça Limbo, do estúdio dinamarquês Playdead, o objetivo é completar um cenário feito de referências ao expressionismo alemão.
The Boom Shakalaka, do brasileiro Lucas Werthein e do americano Jason Aston, é tanto um game como uma instalação. O espectador é convidado a interagir com a obra, por meio de enormes joysticks que controlam bolinhas por um labirinto de referências a Miró e Kandinsky projetado na parede. “Os games estão na web, nos celulares, nos tablets”, constata a curadora. “E nossa ideia é explorar o lado lúdicos desses trabalhos.”





