Governo americano reconhece games como arte

Postado por: | 09:40 10 de maio de 2011

O debate é longo, mas parece que nos Estados Unidos esse blá, blá, blá chegou ao fim. A organização governamental National Endowment for the Arts (NEA) reconheceu todas as formas de mídia como arte, o que inclui os games, conteúdos desenvolvidos para internet e tecnologias para celulares, como aplicativos.

A atualização de status aconteceu após uma mudança nas diretrizes do NEA, que inseriu em seu escopo a categoria “Artes na Mídia”. Para Alyce Myatt, diretora do órgão, trata-se de uma expansão – aguardada e necessária há anos, diga-se de passagem.

Espantosamente, o NEA só considerava plataformas viáveis de arte multimídia a TV e o rádio. Segundo as novas regras da instituição, o conteúdo produzido em “todas” as novas plataformas, como internet, tecnologias móveis e interativas, games, conteúdo gerado por satélite, bem como rádio e TV, são oficialmente reconhecidas pela instituição.

É óbvio que nem tudo poderá ser chamado de arte. Para receber o endosso do NEA, será necessário que os artistas criem peças no formato digital e “entreguem” a sua obra através de um dispositivo eletrônico. A partir desse reconhecimento, interessados poderão obter do governo federal concessões para financiar projetos.

O incentivo financeiro varia de 10.000 a 200.000 dólares e quem quiser começar um projeto antes de 1º de maio de 2012 precisa fazer a solicitação oficial até o dia 1º de setembro deste ano.

É, caros leitores, os games entraram na onda dos editais, ao menos nos Estados Unidos. Quando será que isso vai acontecer por aqui, hein?

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Ainda em tempo: Para quem perdeu o FILE Games, uma matéria completinha sobre o evento, que terminou no último dia 8, no Rio, e onde comparo o lindo Limbo ao expressionismo alemão. O material foi publicado originalmente no site da revista VEJA.

Mostra no Rio explora a arte do videogame
Festival Internacional de Linguagem Eletrônica abre edição dedicada à produção independente de jogos no Brasil e exterior

Começou esta semana e vai até 8 de maio no Rio de Janeiro uma edição toda dedicada a games do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE). Com foco na produção independente, a exposição lança um olhar artístico sobre os jogos eletrônicos.

A mostra reúne artistas brasileiros e internacionais com uma visão pouco convencional dos jogos eletrônicos. Além de games, o evento traz instalações, animações e machinimas (animações desenvolvidas a partir de roteiros, personagens ou cenários de um game).

“Os jogos estão em todos os lugares: na educação, publicidade e até no treinamento de funcionários”, diz Tarsila Yuki, curadora da exposição. “Aqui, queremos mostrar o lado artístico desta produção.”

Flower, para PlayStation 3, e Limbo, para Xbox 360, são alguns dos títulos apresentados na mostra. Premiados pela crítica internacional, foram desenvolvidos por pequenas empresas e trazem em sua essência muitas referências artísticas. Em Flower, do chinês Jenova Chen e do americano Nicholas Clark, o objetivo é controlar pétalas ao vento. No quebra-cabeça Limbo, do estúdio dinamarquês Playdead, o objetivo é completar um cenário feito de referências ao expressionismo alemão.

The Boom Shakalaka, do brasileiro Lucas Werthein e do americano Jason Aston, é tanto um game como uma instalação. O espectador é convidado a interagir com a obra, por meio de enormes joysticks que controlam bolinhas por um labirinto de referências a Miró e Kandinsky projetado na parede. “Os games estão na web, nos celulares, nos tablets”, constata a curadora. “E nossa ideia é explorar o lado lúdicos desses trabalhos.”

Do you speak Portuguese? Yes, I do

Postado por: | 12:29 14 de abril de 2011

Mais uma matéria muito legal, publicada no site de VEJA, que merece ganhar espaço de destaque no TheGameGirl. Em tempo: começou no dia 12, no Rio de Janeiro, o FILE Games, uma exposição bacanérrima de game art, um assunto pelo qual sou completamente apaixonada. Estive lá nessa quarta-feira e prometo contar tudinho aqui.

Por enquanto, divirta-se com a reportagem a seguir:

Indústria dos games aprende o português
De olho num mercado em expansão, gigantes do setor lançam produtos totalmente vertidos para a língua portuguesa

Gigantes da indústria dos games estão decididos a falar a língua portuguesa. A Nintendo lança este semestre seu primeiro aparelho com menus e funcionalidades em português do Brasil, o portátil 3DS, e promete verter também a página de sua loja online, a Nintendo eShop. A Sony apresentou em fevereiro seu primeiro jogo para PS3 totalmente traduzido, o Killzone 3, e lança ainda este ano um segundo título de peso, o inFamous 2. E a Microsoft, que já experimentara a prática de verter títulos importantes em 2007, reforça a estratégia com o lançamento em setembro de Gears of War 3 todo legendado.

Galeria de fotos: confira as apostas da indústria de games para 2011

Videogame deixou há muito de ser brinquedo de crianças e adolescentes. Em muitos lares, o eletrônico faz as vezes de plataforma multimídia para a reprodução de filmes e músicas. Com isso, a indústria passou a atingir perfis com pouca familiaridade – e eventualmente nenhuma paciência – com o jargão dos games, todo em inglês. É esta plateia que os gigantes do ramo querem mimar. “O videogame saiu do quarto e foi para a sala”, resume Guilherme Camargo, gerente de marketing para o Xbox 360 na Microsoft Brasil. “No formato de uma central de entretenimento, ele atinge outro tipo de público: a mãe, o pai, os avós etc.”

A tradução de games também é vista como estratégia para aumentar a adesão da classe B e atingir a emergente classe C. No Brasil, os consoles de videogame ainda são artigo de luxo: estão presente em 90% dos lares na classe A, mas em apenas 60% das casas na B e 24% na C, conforme pesquisa NC Games, a maior distribuidora de jogos da América Latina.

Há, é claro, a barreira econômica. Consoles são vendidos no Brasil a um preço até quatro vezes acima do praticado nos Estados
Unidos, o que as empresas atribuem à pesada carga tributária. O americano paga 284.99 dólares (cerca de 460 reais) pelo PlayStation 3 160 GB, e o brasileiro, 1.999 reais. O Kinect sai nos EUA por 150 dólares (241 reais) e aqui por 600 reais. O Xbox 360 250GB está à venda lá fora por 299.99 dólares (483 reais), e aqui, 1.899 reais (com direito a dois jogos).

Experiência plena – Além de conquistar um público maior, falar a língua local é também uma maneira de reforçar os laços com os aficionados. É certo que nenhum gamer tropeça em termos como ‘game over’, ‘score’ ou ‘fatality’. Mas só a fluência no idioma permite vivenciar plenamente games com roteiros cada vez mais elaborados e fases que podem tomar dias e a até semanas do jogador.

“Mesmo quem tem um bom inglês acaba deixando algo escapar”, diz Anderson Gracias, gerente da Divisão Playstation na Sony Brasil, cujas operações começaram em 2010. “O vocabulário de um jogo de guerra, por exemplo, é muito específico.” Gracias conta que o retorno obtido por KillZone 3, recém-lançado em português, é animador. “Algumas pessoas que já tinham jogado outros games da franquia em inglês me falaram que só agora conseguiram entender a história”.

Mais vendidos – “Localização” é o jargão da indústria para a estratégia de adaptar um produto para o idioma ou a cultura local. Requer investimento e exige confiança no mercado. Bertrand Chaverot, diretor da produtora francesa Ubisoft, presente no Brasil desde 2008, explica que a tática exige escala. “Um game traduzido vende 30% a mais do que um jogo em inglês”, calcula. “Para ser adaptado para outro idioma, precisa vender pelo menos 20.000 ou 30.000 unidades.”

A empresa filipina Level Up!, que distribui jogos online, faz estimativas bem mais otimistas. “A adaptação de um jogo aumenta em até dez vezes o nosso número de assinantes”, diz Júlio Vieitez, diretor da multinacional no Brasil. Em março deste ano a empresa lançou uma versão do game Allods Online com as vozes do músico João Gordo, do comediante Leandro Hassum e da apresentadora Pietra Príncipe.

A Microsoft foi a primeira no Brasil a sentir no bolso a boa recepção de um jogo vertido para o português. Em 2007, a multinacional lançou para Xbox 360 o game Halo 3, totalmente adaptado. O sucesso fez com que os demais jogos da série (ODST e Reach) também ganhassem traduções, que também se tornaram os títulos mais vendidos da companhia no país. Foi com base nesses resultados que a Microsoft decidiu verter mais três jogos, o Viva Piñata, o Viva Piñata Party Animals e o Joy Ride, para Kinect, o carro-chefe da empresa, lançado em novembro de 2010.

Mercado – A indústria de games segue no Brasil o caminho já percorrido com sucesso em outros países na América Latina (México), Europa (Alemanha e Suécia) e Ásia (Coreia do Sul e China). Em todas essas regiões, as versões de games contribuíram para o crescimento do mercado local. Para efeito de comparação: o México, com uma população quase duas vezes menor, tem hoje um mercado de games três vezes maior que o brasileiro. Diz Claudio Macedo, presidente da NC Games: “Precisamos de volume para fazer a indústria local crescer, e um dos caminhos é falar o português”.

Galeria abre espaço para game art

Postado por: | 11:28 10 de fevereiro de 2011

A ArtBoy Gallery, localizada na cidade de Melbourne, na Austrália, é focada em um mix de estilos artísticos, que vão do stencil à arte urbana, passando pela fotografia e game art.

A proposta, segundo Marc Huntington, fundador do espaço, é buscar no mercado pessoas que têm se inspirado nos games para produzir trabalhos dos mais diversos.

Confiante, Huntington organizou uma ação que visa encontrar esses talentos, geralmente “escondidos” em fóruns e coleções particulares. A mostra FanBoy vs. ArtBoy: VideoGames está em fase inicial e até esta sexta-feira, dia 11, convida artistas de todo mundo a enviarem suas produções à galeria.

Os trabalhos mais originais serão expostos entre 11 e 14 de março. As peças também estarão disponíveis para a venda.

“Com a nossa mostra inaugural daremos aos artistas independentes a oportunidade de levar sua arte de um fórum público para a parede das pessoas”, explica o regulamento do concurso no site oficial do espaço.

(((Social Media Week – São Paulo)))

O TheGameGirl esteve nessa quarta-feira no Social Media Week participando da mesa Social Games – Quem Está Jogando Esse Jogo?. Estavam na mesa eu, o Andrew de Andrade, especialista no assunto, a Heloísa Lima, da Dentsu Latin America, e o Cauã Taborda, da Info. Foi bem divertido :)

Durante a conversa podíamos dar uma espiadinha nos tweets que estavam sendo postados no Twitter com a hashtag #SMWSP. Embora algumas piadinhas atrapalhassem qualquer linha de raciocínio, principalmente as que envolviam o curioso bigode do Andrew (a la Ben Hammersley, o editor especial da Wired UK que esteve no Brasil para a Campus Party), acho que conseguimos passar a nossa mensagem. É, eu acho ;p

‘Scott Pilgrim vs. the World’: bonitinho, mas ordinário

Postado por: | 02:45 1 de setembro de 2010

Scott Pilgrim vs. the World só chega aos cinemas brasileiros em outubro, mas o game já está disponível para PlayStation 3 e para Xbox 360. O trailer traz fortes referências ao estilo 8-Bit, uma característica fundamental àqueles que lembram do passado com certa nostalgia.

O game é uma adaptação retrô do universo de Scott Pilgrim, um garoto que precisa enfrentar inimigos para conquistar uma mocinha. A narrativa não é inovadora, principalmente se levarmos em conta enredos de jogos como Mario Bros. e Prince of Persia, onde o principal objetivo é “salvar” a princesa de terríveis inimigos – não que eu ache o Bowser Koopa um mostro tão mau assim. Vale ressaltar, no entanto, que a fórmula pode funcionar muito bem no cinema, onde a estratégia ainda não foi explorada com essa mesma estética.

As críticas não são das mais positivas, mas o game pode ser uma opção se o que jogador procura não é um modo cooperativo on-line. No jogo, ele precisa enfrentar sete ex-namorados de Ramona, a mocinha da história. O título, a exemplo do filme, é baseado no quadrinho de mesmo nome, assinado pelo cartunista canadense Bryan Lee O’Malley.

A arte retrô pixelada do jogo é de Paul Robertson e a trilha sonora é de Anamanaguchi, uma banda nova-iorquina de chiptune punk.

No final do ano passado, o filme dirigido por Edgard Wright foi exibido em Londres para um grupo seleto de cineastas. À época, Jason Reitman (Amor sem Escalas, Juno) considerou o longa o primeiro filme da “geração joystick”. Será?

Super Mario Art

Postado por: | 12:58 13 de julho de 2010

Quem é vivo sempre aparece e eis que a escriba que vos escreve, enfim, surgiu das cinzas. Muitas coisas aconteceram nos últimos dias, entre elas a E3, uma das mais importantes feiras de games do mundo. Não cobri o evento em Los Angeles, como aconteceu em 2006, no entanto acompanhei todas as novidades anunciadas no início do mês; vou comentando-as aqui em doses homeopáticas.

StarCraft II chega ao Brasil e marca a estreia da Blizzard em solo nacional. O TheGameGirl esteve no evento organizado para a imprensa e viu como será a versão do jogo localizada para o português. Nenhuma novidade com relação ao World of Warcraft foi anunciada. Vale ressaltar, entretanto, que a companhia, cujo QG é em Irvine, na California, está apostando de verdade no país.

- A grande sensação de 2010 atende pelo nome de Kinect. O sensor de movimentos da Microsoft, exclusivo para Xbox 360, será lançado em novembro, mas estará disponível para teste no Brasil. A demonstração ocorrerá no próximo final de semana, durante o Festival do Japão, que ocorre no Centro de Exposições Imigrantes.

- E isso é só o começo! Confira abaixo esse vídeo incrível, resultado de um projeto de conclusão de curso de Andreas Heikaus, um artista alemão que apostou na tecnologia para homenagear o jogo The Super Mario Bros., lançado para NES.

Geração 8-bit invade NY

Postado por: | 11:17 16 de abril de 2010

Este vídeo foi publicado na Folha Online há alguns dias. Trata-se de um curta-metragem, dirigido por Patrick Jean, onde ícones dos games, como Pacman e Tetris, invadem a cidade de Nova York, nos Estados Unidos.

Pixels foi produzido pelo estúdio One More Production e mostra uma metrópole sendo, literalmente, “pixelizada”. A trilha sonora é baseada em sintetizadores e faz clara referência à geração 8-bit.

Patrick Jean é francês e não esconde suas origens ao se apropriar do conceito “pixels”. A exemplo do que ocorre na revista AMUSEMENT – também francesa-, ele leva para o universo pop tudo o que aprendeu com os games na década de 80.

O curta é fresquinho e foi produzido neste ano. Ele já foi visto mais de 2 milhões de vezes no Dailymotion, onde foi publicado pelo próprio diretor.

Outros clássicos como Space Invaders, Donkey Kong, Pong e Frogger aparecem no trabalho de Jean.

Disfarces digitais

Postado por: | 12:37 11 de março de 2010

Ontem, enquanto descobria o que acontecia no mundo, encontrei uma reportagem no Independent muito legal sobre um fotógrafo chamado Robbie Cooper. Ele tem desenvolvido um trabalho bastante interessante envolvendo alter egos encontrados em MMOs.

Cooper procura nos universos digitais diferentes personagens e, em seguida, fotografa as pessoas que estão por trás desses avatares. Sua ideia é fazer um comparativo entre a vida digital e a vida real.

Uma de suas fontes é um pai de família, executivo de uma empresa, que após se divorciar da mulher perdeu a maior parte do contato com seus filhos. Para resolver o problema, ele decidiu jogar “Everquest”. Todas as noites, disfarçado de algum personagem, ele colocava o papo em dia com as crianças e falava com eles sobre os deveres de casa, sobre a mãe etc.

“Eu fiquei fascinado com a ideia de que uma conversa banal, mas cheia de emoção, estava acontecendo em um mundo de fantasia virtual”, comentou Cooper sobre o seu “achado”.

E foi assim, encantado com a ideia de confrontar dois mundos, que o fotógrafo deu início ao seu projeto, em 2003. Ele buscou colaboradores em fóruns e registrou personagens em universos virtuais de diversos jogos, fazendo uma espécie de transposição. O resultado pode ser conferido em uma mostra realizada no National Media Museum, em Bradford, na Grã-Bretanha. Caso você esteja meio longe da Inglaterra, a dica é comprar o livro, que reúne um pouco de tudo o que Cooper encontrou na Coréia, China, França e Alemanha durante a execução do seu trabalho.

Caso não se lembre, foi esse nova-iorquino quem fez aquele vídeo, o Immersion, onde vários jovens aparecem fazendo caretas enquanto jogam algum game.

Crédito/Imagem: Robbie Cooper